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Não basta ser Grande, tem que ser Catarina

 

Confesso que de todas as histórias de princesas, rainhas e imperatriz, a que mais me impressionou foi a de Catarina.

Como toda menina nascida em importantes famílias da realeza europeia, teve o destino traçado pela família, porém, diferente de Maria Antonieta, Elizabeth Woodville e outras, a rejeição não começou no país escolhido no casamento, mas em casa. A mãe, sempre ignorou a sua existência e mesmo após ser a herdeira do trono russo, sempre tentava se transparecer mais que a filha, tanto que foi expulsa e banida da corte pela própria imperatriz Elizabeth.

Com muita influência política devido a estudos e até mesmo a conversão religiosa da luterana para a ortodoxa, Catarina passou a ser amada pelos russos, mesmo antes da tomada do trono, que demorou anos após a chegada na Rússia. A imperatriz Elizabeth, tia de Carlos, marido de Catarina, que negociou o casamento da princesa alemã com o futuro herdeiro do maior império do mundo. Sem marido e filhos, a comandante se apegou a menina, de nome Sofia, mas Catarina, a Grande, após tomada do trono russo e derrota do então marido, que de melhor amigo na adolescência, a partir da chegada no novo país, passou a ser seu arqui-inimigo na política. De todos os anos de estudos, convivência com a Imperatriz que a repassou toda a cultura do país, tornou Catarina uma das melhores governantes do continente. A Rússia, que estava com sérios problemas sociais, passou por uma reforma política, e mesmo após rebeliões importantes, conseguiu ter uma boa administração nas mãos da mulher que saiu da Alemanha para conquistar o mundo.

Todos esses detalhes podem ser conferidos em qualquer livro de história, porém o que Robert Massie retrata na biografia mais completa de Catarina é a vida amorosa, que assim como muitas meninas-mulheres saídas de suas nações sem sequer serem consultadas e sempre pelo bem do próprio país, foi cercada de inúmeros amantes, tanto que a paternidade dos filhos é fortemente questionada devido a corrida ao trono. Nas quase 700 páginas, há um misto de história, romance e mergulho nas águas mais geladas de uma mulher que escolheu ser grande ou até maior que o antecessor ao trono, Pedro, o Grande, que iniciou grandes reformas políticas.

O reinado de 34 anos, transpôs a avó que criou os netos para serem grandes imperadores e sucessores, já que os filhos não pode criar, pois Elizabeth, sua tutora e quem tinha a maior autoridade de Rússia, se apoderava dos filhos desde o momento do parto, até o modo de criação, fazendo com que Catarina, a alemã que saiu como Sofia do próprio país, tivesse apenas essa utilidade, gerar bebês que demoraram a vir, devido a hostilidade que o marido Pedro tinha por ela. Massie alega que Pedro não era homossexual, tanto que tinha vários casos na corte e os fazia questão de que Catarina os soubesse. Na biografia, há muitas curiosidades não só sobre um aperitivo da dinastia Romanov, mas também da cultura e principalmente, sobre a própria Catarina. A leitura vale a pena, mesmo o livro não sendo pequeno, a vontade de carregá-lo para todos os lugares existiu.

Saiba mais:

Livro: Catarina, a Grande – retrato de uma mulher

Sobre o autor: Robert Kinloch Massie é um historiador americano, escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer, e de uma bolsa de estudos, ofertada pelo programa internacional de bolsas da Universidade de Oxford, o Rhodes Scholar.

Você encontra o livro disponível em:

Saraiva: http://www.saraiva.com.br/catarina-a-grande-retrato-de-uma-mulher-4355939.html

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/catarina-a-grande-30372243

Amazon: https://www.amazon.com.br/Catarina-grande-retrato-uma-mulher-ebook/dp/B00BXJFUHK

Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear

Histórias e estórias que envolvem a cultura russa e a antiga URSS me fascinam. A partir daí é possível entender como fiquei ansiosa para ler Vozes de Tchernóbil, o livro não apenas falaria de uma das maiores catástrofes ambientais da história ocorrida dentro da União Soviética como abordaria o tema a partir dos testemunhos de pessoas comum que viveram aqueles dias e que foram impactadas diretamente pela política e pela radiação.

Como a própria sinopse do livro expõe, em 26 de abril de 1986, uma explosão seguida de incêndio na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia – então parte da finada União Soviética -, provocou uma catástrofe sem precedentes em toda a era nuclear: uma quantidade imensa de partículas radioativas foi lançada na atmosfera da URSS e em boa parte da Europa. No entanto, tão grave quanto o acontecimento foi a postura dos governantes e gestores soviéticos. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, recebiam poucas informações, numa luta inglória, em que pás eram usadas para combater o átomo.

E foi justamente isso que mais me impressionou no livro, a fé no grande império comunista que a população tinha. Nos relatos coletados pela Svetlana não são raras as vezes em que os afetados pela catástrofe político ambiental relatam sua fé cega nas autoridades governamentais, mesmo que soubessem que algo muito errado estava acontecendo. Por exemplo, o discurso de um editor chefe de um jornal da época durante uma reunião de pauta para a cobertura do desastre: “Lembrem-se! Agora entre nós não há médicos, nem professores, nem cientistas, nem jornalistas, hoje só existe uma profissão: a de homem soviético”.

No livro fica muito evidente também que a soberania política do estado soviético não se fazia presente apenas em pessoas comuns, sem instrução, como normalmente imaginamos (pelo menos eu imaginava). “Perguntávamos: O que se pode fazer? Respondiam-nos: Façam as suas medições e assistam à televisão. Pela televisão, Gorbatchóv acalmava a todos: Foram tomadas as medidas urgentes. Eu acreditei… Eu – um engenheiro com vinte anos de experiência e bom conhecedor das leis da física. Eu já sabia que qualquer ser vivo deveria sair desses lugares. Ainda que por um tempo. Mas nós fazíamos escrupulosamente as medições e íamos assistir às declarações na tevê.”.

Vozes de Tchernóbil traz a tona uma pequena faceta do que foi ser soviético, do que foi ter vivido durante o regime socialista da URSS e isso é impressionante! “Não foi apenas o poder que nos enganou, nós mesmos não queríamos saber a verdade. E ela estava lá. No fundo do nosso subconsciente. Claro que não queremos confessar, é mais agradável repreender Gorbatchóv. Acusar os comunistas.”.

Em suma, um livro para quem se interessa pelo comportamento humano e pela história.

Você encontra o livro disponível nos sites:

Saraiva:http://www.saraiva.com.br/vozes-de-tchernobil-a-historia-oral-do-desastre-nuclear-9279972.html

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/vozes-de-tchernobyl-46135762

Um livro forte como esse pede uma bebida que cause impacto e que sirva para homenagear a todos aqueles que viveram e morreram o desastre de Tchernóbil. Como não é possível e nem recomendável fazer o samogon, sugiro um brinde com a vodka Russian Imperia – que utiliza uma receita do século XIX, desenvolvida por Dmitri Mendeleiev (inventor da tabela periódica dos elementos químicos), e patenteada pelo governo de São Petersburgo.

Vache zdoróvie!

Extra:

http://www.extra.com.br/Bebidas/Vodka/Vodka-Russian-Imperia-750-ml-3463462.html

Wine: 

https://www.wine.com.br/outras-bebidas/vodka/vodka-russian-imperia/prod7957.html

A princesa do “Juntos até o fim”

Para muitos, a Revolução Francesa é apenas um fato marcante na história que mudou os rumos políticos de todo um continente. Já para outros, os apaixonados pela biografia da monarquia antiga, não pode deixar passar despercebida a vida de uma das mais conhecidas rainhas do mundo: Maria Antonieta. A monarca francesa, de origem austríaca, sim, teve uma vida de luxo e regalias, mas também teve uma vida de pressão e tensão muito tempo antes dos anos pré-revolução. Em sua biografia, a mais completa e recente, que inclusive inspirou Sofia Coppola a produzir um filme sobre Maria Antônia, seu nome de batismo. O livro de quase 600 páginas de Antonia Fraser, tem uma fluência incrível e você vai querer levá-lo contigo em todos os lugares para saber cada detalhe da história.

 

Maria Antonieta, nome adotado a partir do casamento com o herdeiro do trono francês,o então delfim, teve o destino marcado como muitas outras princesas da sua época, século XVIII. O enlace acordado pela mãe, a imperatriz Maria Tereza, teve como objetivo assegurar mais uma aliança entre a Áustria e a França. A única coisa que essa princesa não sabia é que seria uma das rainhas mais influentes do mundo, se não a mais, na moda e nas tendências.

O que poucos sabem é a angústia e pressão que Maria Antonieta sofreu por não gerar um filho rapidamente após o casamento, este consumado somente após sete longos anos da cerimônia. A sexualidade em torno do jovem casal era discutir em todos os entornos da França e também fora das fronteiras. Não se entendia do porque o casal jovem e saudável não se entendia na cama, tanto que até médicos foram consultados para tentar resolver o problema, que poderia causar um agravo na dinastia do trono, sendo que Luis era o próximo se eleger.

O choque da cultura também foi algo que Antonieta ou mesmo Antonie, como era chamada carinhosamente pela família, demorou a entender, visto em cartas que mandava para mãe reclamando sobre a etiqueta francesa, que era demasiada exagerada. Na hora de ir para cama, uma gama de pessoas que participava da corte tinha o “privilégio” de despir e levar o casal para o leito.

O fato do” juntos até o fim” é que Maria Antonieta não largou seu delfim, depois declarado rei em 1774, em nenhum momento e nem em todas as possibilidades de fugir para outros países onde teria segurança diplomática devido a origem austríaca durante as noites em que a guilhotina era peça fundamental para deter os inimigos da queda da monarquia e da instauração de um novo regime.  Desde que firmou a união com o então delfim, declarou que a união seria para sempre, mesmo com todos os problemas que enfrentava.

Porém, a vida conjugal com um rei sem atitude e com picos de depressão nunca foi ligada ao modo de vida da rainha antes e depois da maternidade. A princesa austríaca, considerada uma das mais bonitas do mundo, que deslizava nos corredores de Versalhes ao invés de caminhar, também se tornou uma rainha com neutralidade na política. Não se envolvia em assuntos financeiros ou de guerra, mesmo recebendo conselhos via cartas da mãe e também do irmão que se tornou imperador da Áustria, após ambos ficarem órfãos.

A imagem da rainha também era arranhada não só pelas festas e regalias, Maria Antonieta figura um dos primeiros romances lésbicos da história, até hoje não comprovado, devido a sua amizade considerada mais que íntima com uma condessa de sua corte, porém o que naquela época ninguém interpretava que por mais que fosse a rainha da França, Antonieta era sozinha de amigos e principalmente no casamento, já que caçadas eram mais interessantes ao rei do que a vida íntima do casal.

As regalias de sua corte, que inclusive foram um dos motivos da quebra da coroa, como festas regadas a champanhe até o sol nascer, vestidos com tecidos vindos de toda a parte do mundo, era uma fuga de um mundo que ainda não conhecia: a maternidade. Porém, após o nascimento da primeira filha, uma menina, ela mudou completamente o modo de vida, vindo a se refugiar no Petit Trianon, um castelo presente do então já rei Luis XVI, que por mesmo se ficasse apenas a dois quilômetros de Versalhes, um dos castelos mais visitados do mundo até hoje, tinha uma vida de dona de casa na qual tirava leite das vacas e cabras, cultivava a horta e zelava 24 horas pelo crescimento saudável da pequena princesa, e depois de três anos, deu a luz a um menino, futuro herdeiro do trono francês. Nessa fase materna, segunda a biógrafa, houve uma descoberta de dedicação e vida à sua filha, que foi a primeira de quatro filhos, porém destes, dois morreram, o que ao mesmo tempo deixou de lado a especulação de ser infértil, como também a possibilidade de um amante estar envolvido em sua vida. O que a resume é a rainha mais influente de toda a Europa fez da maternidade seu papel como mulher.

Após a crise financeira que se objetivou por vários motivos, desde as regalias da monarquia até os excessos pela guerra travada em território americano, que trouxe consequentemente as primeiras rebeliões na França, Maria Antonieta provou sua lealdade mesmo sabendo que o destino seria o pior de todos.

A biografia traz detalhes imperdíveis e curiosos para quem ama história misturada a um bom livro de não-ficção baseado em cartas dos principais personagens da história mundial com fatos que desenharam a atual política de muitos países da Europa. A leitura te prende e você vai querer levar o livro para todos o lugares para não perder nenhum detalhe.

Sobre a autora:

Antonia Fraser é uma das poucas escritoras no mundo especialistas em monarquias e que retratam a história desse sistema pela visão da mulher, que mesmo não tendo papel político fundamental na história, como nossa personagem desse texto, expõe fatos, curiosidades e entendimentos de uma época distante com modos de vida totalmente diferente do nosso.

Para saber mais sobre ela: http://www.antoniafraser.com/index.aspx

Você encontra o livro disponível em:

Saraiva: http://www.saraiva.com.br/maria-antonieta-1572109.html

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/maria-antonieta-biografia-1825561

Se você aprecia um bom vinho, principalmente num dia de calor, como o dia que nasceu esse texto, sugerimos esses:

Sonoma: https://sonoma.com.br/espumante/espumante-veuve-alban-brut-blanc-de-blancs

Wine: https://www.wine.com.br/vinhos/chateau-de-la-pierre-muscadet-cotes-de-grandileu-2015/prod15799.html

Se quiser entrar ainda mais no clima: https://www.youtube.com/watch?v=VXkGgABWMAI

 

Número Zero – Umberto Eco

Jornalista por formação e exercício, devo admitir que Número Zero me fez refletir sobre vários aspectos do desempenho dessa profissão tão conflituosa, no entanto ainda não consegui decidir se gostei da história. Eis os motivos:

 

O livro conta a história de um grupo de redatores, reunido ao acaso, com o objetivo de preparar um jornal. No entanto, não se trata de um jornal informativo; seu objetivo é chantagear, difamar, prestar serviços duvidosos a seu editor. Nesse meio tempo, um cadáver entra em cena e uma delicada história de amor se desenrola entre dois personagens.

 

Enquanto crítica aos limites da informação e o funcionamento dos veículos de imprensa como instrumentos de desinformação, é fantástico. Ainda mais se levar em consideração o momento político no qual a Itália passava e em que o autor fez questão de situar a história. O ano de 1992 é marcado pelos escândalos de corrupção e pelo início da operação “Mãos Limpas” que investigou boa parte de políticos e empresários influentes italianos. Não fazer uma comparação é praticamente impossível. Ainda mais quando no Brasil a corrupção e a operação “Lava Jato” tomam conta dos noticiários.

 

A explicação do diretor de redação sobre como passar a opinião sem dar na vista “Atenção: fazer notícia é uma boa expressão, notícia quem faz somos nós, e é preciso saber fazer a notícia brotar nas entrelinhas” é apenas um dos exemplos que nos faz reconsiderar as informações que lemos todos os dias e refletir quais são as entrelinhas de cada matéria de cada jornal.

 

No entanto, o que me deixou reticente sobre o livro foi o desenrolar história de fundo. Todo o livro é construído em cima de uma teoria da conspiração que faz com que o personagem principal, no caso, o jornalista e tradutor Colonna, repense o papel da imprensa e sua atuação como jornalista, que acaba ficando sem resposta. Havia alguém vigiando Colonna? O apartamento dele realmente foi invadido? Ele estava sendo perseguido? Gostaria de ter tido resposta para essas perguntas ao longo da história.

 

Talvez esse não fosse o objetivo do livro e seja somente a minha frustração como amante de romances e thrillers falando mais alto. Vale ressaltar que Umberto Eco era um estudioso da comunicação, professor e semiólogo logo é de se esperar que em um livro curto e objetivo consiga envolver o leitor em análises e reflexões sobre a implicação da comunicação na sociedade.

 

Você encontra o livro disponível nos sites:

Saraiva: goo.gl/jNMvOP

Cultura: goo.gl/HjhnjB

 

Se você é apreciador de cervejas artesanais, indico a Jerimoon da cervejaria Bier Hof, uma Pumpkin Beer produzida com cinco maltes diferentes e abundante quantidade de abóbora caramelizada e especiarias, que tomei enquanto escrevia esse texto e também me deixou na dúvida sobre gostar ou não da experiência.

 

Clube do Malte: http://www.clubedomalte.com.br/produto/bier-hoff-jerimoon-pumpkin-ale-63456

 

Cerveja Store:

http://www.cervejastore.com.br/cerveja-bier-hoff-jerimoon-pumpkin-ale-355ml-p7490/