Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear

Histórias e estórias que envolvem a cultura russa e a antiga URSS me fascinam. A partir daí é possível entender como fiquei ansiosa para ler Vozes de Tchernóbil, o livro não apenas falaria de uma das maiores catástrofes ambientais da história ocorrida dentro da União Soviética como abordaria o tema a partir dos testemunhos de pessoas comum que viveram aqueles dias e que foram impactadas diretamente pela política e pela radiação.

Como a própria sinopse do livro expõe, em 26 de abril de 1986, uma explosão seguida de incêndio na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia – então parte da finada União Soviética -, provocou uma catástrofe sem precedentes em toda a era nuclear: uma quantidade imensa de partículas radioativas foi lançada na atmosfera da URSS e em boa parte da Europa. No entanto, tão grave quanto o acontecimento foi a postura dos governantes e gestores soviéticos. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, recebiam poucas informações, numa luta inglória, em que pás eram usadas para combater o átomo.

E foi justamente isso que mais me impressionou no livro, a fé no grande império comunista que a população tinha. Nos relatos coletados pela Svetlana não são raras as vezes em que os afetados pela catástrofe político ambiental relatam sua fé cega nas autoridades governamentais, mesmo que soubessem que algo muito errado estava acontecendo. Por exemplo, o discurso de um editor chefe de um jornal da época durante uma reunião de pauta para a cobertura do desastre: “Lembrem-se! Agora entre nós não há médicos, nem professores, nem cientistas, nem jornalistas, hoje só existe uma profissão: a de homem soviético”.

No livro fica muito evidente também que a soberania política do estado soviético não se fazia presente apenas em pessoas comuns, sem instrução, como normalmente imaginamos (pelo menos eu imaginava). “Perguntávamos: O que se pode fazer? Respondiam-nos: Façam as suas medições e assistam à televisão. Pela televisão, Gorbatchóv acalmava a todos: Foram tomadas as medidas urgentes. Eu acreditei… Eu – um engenheiro com vinte anos de experiência e bom conhecedor das leis da física. Eu já sabia que qualquer ser vivo deveria sair desses lugares. Ainda que por um tempo. Mas nós fazíamos escrupulosamente as medições e íamos assistir às declarações na tevê.”.

Vozes de Tchernóbil traz a tona uma pequena faceta do que foi ser soviético, do que foi ter vivido durante o regime socialista da URSS e isso é impressionante! “Não foi apenas o poder que nos enganou, nós mesmos não queríamos saber a verdade. E ela estava lá. No fundo do nosso subconsciente. Claro que não queremos confessar, é mais agradável repreender Gorbatchóv. Acusar os comunistas.”.

Em suma, um livro para quem se interessa pelo comportamento humano e pela história.

Você encontra o livro disponível nos sites:

Saraiva:http://www.saraiva.com.br/vozes-de-tchernobil-a-historia-oral-do-desastre-nuclear-9279972.html

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/vozes-de-tchernobyl-46135762

Um livro forte como esse pede uma bebida que cause impacto e que sirva para homenagear a todos aqueles que viveram e morreram o desastre de Tchernóbil. Como não é possível e nem recomendável fazer o samogon, sugiro um brinde com a vodka Russian Imperia – que utiliza uma receita do século XIX, desenvolvida por Dmitri Mendeleiev (inventor da tabela periódica dos elementos químicos), e patenteada pelo governo de São Petersburgo.

Vache zdoróvie!

Extra:

http://www.extra.com.br/Bebidas/Vodka/Vodka-Russian-Imperia-750-ml-3463462.html

Wine: 

https://www.wine.com.br/outras-bebidas/vodka/vodka-russian-imperia/prod7957.html

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