A princesa do “Juntos até o fim”

Para muitos, a Revolução Francesa é apenas um fato marcante na história que mudou os rumos políticos de todo um continente. Já para outros, os apaixonados pela biografia da monarquia antiga, não pode deixar passar despercebida a vida de uma das mais conhecidas rainhas do mundo: Maria Antonieta. A monarca francesa, de origem austríaca, sim, teve uma vida de luxo e regalias, mas também teve uma vida de pressão e tensão muito tempo antes dos anos pré-revolução. Em sua biografia, a mais completa e recente, que inclusive inspirou Sofia Coppola a produzir um filme sobre Maria Antônia, seu nome de batismo. O livro de quase 600 páginas de Antonia Fraser, tem uma fluência incrível e você vai querer levá-lo contigo em todos os lugares para saber cada detalhe da história.

 

Maria Antonieta, nome adotado a partir do casamento com o herdeiro do trono francês,o então delfim, teve o destino marcado como muitas outras princesas da sua época, século XVIII. O enlace acordado pela mãe, a imperatriz Maria Tereza, teve como objetivo assegurar mais uma aliança entre a Áustria e a França. A única coisa que essa princesa não sabia é que seria uma das rainhas mais influentes do mundo, se não a mais, na moda e nas tendências.

O que poucos sabem é a angústia e pressão que Maria Antonieta sofreu por não gerar um filho rapidamente após o casamento, este consumado somente após sete longos anos da cerimônia. A sexualidade em torno do jovem casal era discutir em todos os entornos da França e também fora das fronteiras. Não se entendia do porque o casal jovem e saudável não se entendia na cama, tanto que até médicos foram consultados para tentar resolver o problema, que poderia causar um agravo na dinastia do trono, sendo que Luis era o próximo se eleger.

O choque da cultura também foi algo que Antonieta ou mesmo Antonie, como era chamada carinhosamente pela família, demorou a entender, visto em cartas que mandava para mãe reclamando sobre a etiqueta francesa, que era demasiada exagerada. Na hora de ir para cama, uma gama de pessoas que participava da corte tinha o “privilégio” de despir e levar o casal para o leito.

O fato do” juntos até o fim” é que Maria Antonieta não largou seu delfim, depois declarado rei em 1774, em nenhum momento e nem em todas as possibilidades de fugir para outros países onde teria segurança diplomática devido a origem austríaca durante as noites em que a guilhotina era peça fundamental para deter os inimigos da queda da monarquia e da instauração de um novo regime.  Desde que firmou a união com o então delfim, declarou que a união seria para sempre, mesmo com todos os problemas que enfrentava.

Porém, a vida conjugal com um rei sem atitude e com picos de depressão nunca foi ligada ao modo de vida da rainha antes e depois da maternidade. A princesa austríaca, considerada uma das mais bonitas do mundo, que deslizava nos corredores de Versalhes ao invés de caminhar, também se tornou uma rainha com neutralidade na política. Não se envolvia em assuntos financeiros ou de guerra, mesmo recebendo conselhos via cartas da mãe e também do irmão que se tornou imperador da Áustria, após ambos ficarem órfãos.

A imagem da rainha também era arranhada não só pelas festas e regalias, Maria Antonieta figura um dos primeiros romances lésbicos da história, até hoje não comprovado, devido a sua amizade considerada mais que íntima com uma condessa de sua corte, porém o que naquela época ninguém interpretava que por mais que fosse a rainha da França, Antonieta era sozinha de amigos e principalmente no casamento, já que caçadas eram mais interessantes ao rei do que a vida íntima do casal.

As regalias de sua corte, que inclusive foram um dos motivos da quebra da coroa, como festas regadas a champanhe até o sol nascer, vestidos com tecidos vindos de toda a parte do mundo, era uma fuga de um mundo que ainda não conhecia: a maternidade. Porém, após o nascimento da primeira filha, uma menina, ela mudou completamente o modo de vida, vindo a se refugiar no Petit Trianon, um castelo presente do então já rei Luis XVI, que por mesmo se ficasse apenas a dois quilômetros de Versalhes, um dos castelos mais visitados do mundo até hoje, tinha uma vida de dona de casa na qual tirava leite das vacas e cabras, cultivava a horta e zelava 24 horas pelo crescimento saudável da pequena princesa, e depois de três anos, deu a luz a um menino, futuro herdeiro do trono francês. Nessa fase materna, segunda a biógrafa, houve uma descoberta de dedicação e vida à sua filha, que foi a primeira de quatro filhos, porém destes, dois morreram, o que ao mesmo tempo deixou de lado a especulação de ser infértil, como também a possibilidade de um amante estar envolvido em sua vida. O que a resume é a rainha mais influente de toda a Europa fez da maternidade seu papel como mulher.

Após a crise financeira que se objetivou por vários motivos, desde as regalias da monarquia até os excessos pela guerra travada em território americano, que trouxe consequentemente as primeiras rebeliões na França, Maria Antonieta provou sua lealdade mesmo sabendo que o destino seria o pior de todos.

A biografia traz detalhes imperdíveis e curiosos para quem ama história misturada a um bom livro de não-ficção baseado em cartas dos principais personagens da história mundial com fatos que desenharam a atual política de muitos países da Europa. A leitura te prende e você vai querer levar o livro para todos o lugares para não perder nenhum detalhe.

Sobre a autora:

Antonia Fraser é uma das poucas escritoras no mundo especialistas em monarquias e que retratam a história desse sistema pela visão da mulher, que mesmo não tendo papel político fundamental na história, como nossa personagem desse texto, expõe fatos, curiosidades e entendimentos de uma época distante com modos de vida totalmente diferente do nosso.

Para saber mais sobre ela: http://www.antoniafraser.com/index.aspx

Você encontra o livro disponível em:

Saraiva: http://www.saraiva.com.br/maria-antonieta-1572109.html

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/maria-antonieta-biografia-1825561

Se você aprecia um bom vinho, principalmente num dia de calor, como o dia que nasceu esse texto, sugerimos esses:

Sonoma: https://sonoma.com.br/espumante/espumante-veuve-alban-brut-blanc-de-blancs

Wine: https://www.wine.com.br/vinhos/chateau-de-la-pierre-muscadet-cotes-de-grandileu-2015/prod15799.html

Se quiser entrar ainda mais no clima: https://www.youtube.com/watch?v=VXkGgABWMAI

 

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