Número Zero – Umberto Eco

Jornalista por formação e exercício, devo admitir que Número Zero me fez refletir sobre vários aspectos do desempenho dessa profissão tão conflituosa, no entanto ainda não consegui decidir se gostei da história. Eis os motivos:

 

O livro conta a história de um grupo de redatores, reunido ao acaso, com o objetivo de preparar um jornal. No entanto, não se trata de um jornal informativo; seu objetivo é chantagear, difamar, prestar serviços duvidosos a seu editor. Nesse meio tempo, um cadáver entra em cena e uma delicada história de amor se desenrola entre dois personagens.

 

Enquanto crítica aos limites da informação e o funcionamento dos veículos de imprensa como instrumentos de desinformação, é fantástico. Ainda mais se levar em consideração o momento político no qual a Itália passava e em que o autor fez questão de situar a história. O ano de 1992 é marcado pelos escândalos de corrupção e pelo início da operação “Mãos Limpas” que investigou boa parte de políticos e empresários influentes italianos. Não fazer uma comparação é praticamente impossível. Ainda mais quando no Brasil a corrupção e a operação “Lava Jato” tomam conta dos noticiários.

 

A explicação do diretor de redação sobre como passar a opinião sem dar na vista “Atenção: fazer notícia é uma boa expressão, notícia quem faz somos nós, e é preciso saber fazer a notícia brotar nas entrelinhas” é apenas um dos exemplos que nos faz reconsiderar as informações que lemos todos os dias e refletir quais são as entrelinhas de cada matéria de cada jornal.

 

No entanto, o que me deixou reticente sobre o livro foi o desenrolar história de fundo. Todo o livro é construído em cima de uma teoria da conspiração que faz com que o personagem principal, no caso, o jornalista e tradutor Colonna, repense o papel da imprensa e sua atuação como jornalista, que acaba ficando sem resposta. Havia alguém vigiando Colonna? O apartamento dele realmente foi invadido? Ele estava sendo perseguido? Gostaria de ter tido resposta para essas perguntas ao longo da história.

 

Talvez esse não fosse o objetivo do livro e seja somente a minha frustração como amante de romances e thrillers falando mais alto. Vale ressaltar que Umberto Eco era um estudioso da comunicação, professor e semiólogo logo é de se esperar que em um livro curto e objetivo consiga envolver o leitor em análises e reflexões sobre a implicação da comunicação na sociedade.

 

Você encontra o livro disponível nos sites:

Saraiva: goo.gl/jNMvOP

Cultura: goo.gl/HjhnjB

 

Se você é apreciador de cervejas artesanais, indico a Jerimoon da cervejaria Bier Hof, uma Pumpkin Beer produzida com cinco maltes diferentes e abundante quantidade de abóbora caramelizada e especiarias, que tomei enquanto escrevia esse texto e também me deixou na dúvida sobre gostar ou não da experiência.

 

Clube do Malte: http://www.clubedomalte.com.br/produto/bier-hoff-jerimoon-pumpkin-ale-63456

 

Cerveja Store:

http://www.cervejastore.com.br/cerveja-bier-hoff-jerimoon-pumpkin-ale-355ml-p7490/

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